Arlen Santiago defende priorização da Atenção Básica durante Audiência em Brasília

O médico e deputado estadual Arlen Santiago participou nesta terça-feira (22/08), na Câmara dos Deputados, em Brasília, de uma Audiência Pública da Comissão Especial de Inovação Tecnológica da Saúde, a convite da deputada federal Raquel Muniz.

A Comissão tem como objetivo estudar o processo de inovação e incorporação tecnológica no complexo produtivo da saúde no Brasil e no mundo. Durante a reunião, foram discutidos temas como a possibilidade de melhoria no atendimento à população com o uso de novas tecnologias e procedimentos, o que, segundo foi debatido, demanda também uma melhora na gestão.

Arlen Santiago falou da importância do diagnóstico por imagem, e lembrou da urgência de se reajustar a tabela do Sistema Único de Saúde – SUS que está tornando praticamente impossível o atendimento. “O SUS paga R$5,9 por um raio-x de tórax, porém apenas o filme custa em média R$14 a R$19. Dessa forma, quem presta esse tipo de serviço toma um prejuízo muito grande. Os problemas dizem respeito a uma somatória de situações que vão desde a Atenção Básica, já que, há mais de 13 anos, paga-se por uma consulta médica apenas R$10, até uma internação de CTI em que o custo gira em torno de R$1.400, porém o valor pago é de R$572. Com essas quantias, não temos conseguido mais médicos dispostos a se submeter a esse disparate, até mesmo por uma questão de sobrevivência. Por mais que queiram, realizar consultas adequadas e com dignidade, atendendo a população carente que necessita do sistema por esse valor, tem-se tornado, infelizmente, cada vez mais inviável”, afirmou o Deputado.

Ele ainda destacou que, de encontro a esse caos, está a população, que é a principal prejudicada e tem sofrido cada vez mais. “Na minha área de atuação, que é a radioncologia, da qual dependemos integralmente de imagens, o acesso às mamografias é baixo. A quantidade de exames está sempre, em praticamente todas as cidades, abaixo do necessário. E ainda temos um problema maior, já que por uma mamografia Bi-Rad 5 e 4, a qual tem necessidade de um exame complementar que é a biópsia, o nosso querido SUS paga pelo procedimento R$68, no entanto, só a agulha custa R$100”, lamenta o parlamentar.

O Deputado diz que, com valores abaixo do custo, o processo do diagnóstico torna-se cada vez mais difícil e, como consequência, por exemplo, uma mulher que não consegue realizar uma biópsia, fatalmente terá o quadro evoluído para um câncer mais avançado que, possivelmente, a levará a morte.

Segundo Arlen Santiago, para tentar reverter este quadro, é fundamental que o Ministério da Saúde cuide mais da saúde e menos da doença. “Acredito que, por meio da política, as soluções poderão acontecer. E como isso poderia ser feito? Com uma atenção básica exemplar, com um diagnóstico extremamente precoce. E, ainda, na discussão do orçamento tem que ser debatido o SUS que nós queremos. E qual é o sistema que nós desejamos: aquele que foi idealizado ou esse que está sendo implementado, principalmente nos últimos 13 anos?”, concluiu.




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