Prevenção deve ir além do Setembro Verde

O setembro verde vai terminando e o desejo é que as pessoas relacionem o mês e a cor da campanha à prevenção do câncer de intestino, assim como acontece com o outubro rosa contra o câncer de mama e o novembro azul contra o câncer de próstata. Mas o ideal seria que as pessoas se conscientizassem durante o ano inteiro e não apenas enquanto o mês vigora.

O câncer de intestino é um dos tipos mais comuns de câncer. Segundo o Instituto Nacional do Câncer – Inca, a doença colorretal, que abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto, é a segunda mais frequente nas mulheres e a terceira nos homens. Somente para este ano, são esperados 17.620 novos casos em mulheres e 16.600 em homens.

O risco do câncer colorretal – CCR aumenta com a idade e a história familiar. Ele é raro antes dos 50 anos, mas depois desse limiar, sua incidência aumenta. Para os que têm antecedente pessoal ou familiar, o acompanhamento deve se iniciar aos 40 anos.

O método mais conhecido de rastreamento é a colonoscopia, um exame endoscópico no intestino grosso. No entanto, devido aos obstáculos de sua expansão para toda a população, tendo em vista o custo elevado, passou-se a considerar a eficiência do sangue oculto nas fezes, que pode permitir uma detecção precoce e uma triagem do câncer colorretal em indivíduos assintomáticos e, então, ajudar a determinar quais pacientes realmente precisam realizar a colonoscopia.

Apesar da grande incidência, é um tipo de câncer tratável e, na maioria dos casos, curável, se detectado precocemente. Pensando nisto, apresentei à Secretaria de Estado de Saúde, no ano de 2015, dois projetos, sendo um para a capital mineira e outro para Montes Claros, denominados “Screening e Vigilância do Câncer Colorretal: Prevenção e Detecção Precoce”. O objetivo era oferecer um guia prático destacando as melhores evidências disponíveis à prevenção secundária e detecção precoce do CCR com intuito de reduzir a mortalidade a longo prazo, com consequente economia aos cofres públicos. No entanto, a Secretaria considerou que não havia impacto na sobrevida da população, o que é uma total desinformação. Não implantar programas de prevenção em massa eleva custos da saúde com tratamentos caros e sofrimento da população.

Se, infelizmente, não temos o apoio do Governo nesta luta pela vida, o que podemos fazer é ficar atentos a qualquer indício. Sangramento ao evacuar, anemia sem causa aparente, alterações no hábito intestinal, emagrecimento intenso, fraqueza e desconforto abdominal com gases ou cólicas, são sintomas mais frequentes. Caso você apresente alguns destes, procure o médico.

Outra medida importante, é evitar fatores que estão relacionados com o desenvolvimento do CCR. Adote uma dieta rica em frutas, verduras e vegetais, evite carnes vermelhas e embutidos, pratique exercícios físicos, não fume, não ingira bebidas alcoólicas em excesso. Estas são atitudes que podem fazer a diferença. Faça a sua parte!




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